domingo, 22 de novembro de 2009

.tudo o que se quer vai lá.


"Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo;aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias,me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos. É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena.É para que preciso contar as descobertas, alisar seu peito,preparar uma massa, sentir seus cílios. Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje? Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar.Não negue,apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto. Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma almaque só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios,sem cobertas, sem sentido, sem passados.É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates... Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física,dois corpos ocuparem o mesmo lugar! Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Apoiado!





Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo

No dia 22 de outubro, o Brasil assistiu cenas de selvageria. Uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante (São Paulo) foi vítima de um dos crimes mais combatidos na sociedade, a violência sexista, que é aquela cometida contra as mulheres pelo fato de serem tratadas como objetos, sob uma relação de poder desigual na qual estão subordinadas aos homens. Nesse episódio, a estudante foi perseguida e agredida pelos colegas, hipoteticamente pelo tamanho de vestido que usava, e só pôde deixar o campus escoltada pela polícia. Alguns dos alunos que a insultaram gritavam que queriam estuprá-la. Desde quando há justificativa para o estupro ou toleramos esse tipo de violência?

Pasmem, essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo. A Universidade, espaço de diálogo onde deveriam ser construídas relações sociais livres de opressões e preconceitos, termina por reproduzir lamentavelmente as contradições da sociedade, dando sinais de que vive na era das cavernas.

Além de não punir os estudantes envolvidos na violência sexista, responsabiliza a aluna pelo crime cometido contra ela e a expulsa da universidade de forma arbitrária, como se dissessem que, para manter a ordem, as mulheres devem continuar no lugar que estão, secundárias à história e marginalizadas do espaço do conhecimento.

É naturalizado, fruto de uma construção cultural, e não biológica, que os homens não podem controlar seus instintos sexuais e as mulheres devem se resguardar em roupas que não ponham seus corpos à mostra. Os homens podem até andar sem camisa, mas as mulheres devem seguir regras de conduta e comportamento ideais, a partir de um padrão estético que a condiciona a viver sob as rédeas da sociedade, que por sua vez é controlada pelos homens.

Esse desfecho, somado às diversas abordagens destorcidas do fato na mídia, demonstram a situação de opressão que todas nós, mulheres, vivemos em nosso cotidiano. Situação em que mulheres e tudo o que está relacionado a elas são desvalorizados e depreciados. A mulher é vista como uma mercadoria - ora utilizada para vender algum produto, ora tolhida de autonomia e direitos, ora violentada, estigmatizada e depreciada. É essa concepção que acaba por produzir e reproduzir o machismo, violência e sexismo, próprios do patriarcado. Tal concepção permitiu o desrespeito a estudante.

Nós, mulheres estudantes brasileiras, em contraposição a essa situação, estamos constantemente em luta até que todas as mulheres sejam livres do machismo, da violência, do desrespeito e da opressão que nos cerca.

Repudiamos o ato de violência dos alunos contra a estudante de turismo, repudiamos a reação da mídia que insiste em mistificar o fato e não colocar a violência de cunho sexista no centro do debate e denunciamos a atitude da universidade de punir a estudante ao invés daqueles que provocaram tal situação.

Exigimos que a matrícula da estudante seja mantida, que a Universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira.

Somos Mulheres e Não Mercadoria!

Diretoria de Mulheres da UNE - União Nacional dos Estudantes

sábado, 7 de novembro de 2009

.perene admiração.


"Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu."

Lya Luft


É incrível como se confunde admiração com paixão carcomida e onipresente. Explico: quando não se segue a regra obtusa de que "ao terminar um relacionamento é preciso ignorar o outro como garantia de que não há mais nenhum resquício do velho amor", fica sempre o estereótipo: ter carinho por quem "passou" é sinônimo de estagnação emocional e declarações sentimentais infrutíferas e ultrapassadas.

Para mim isso é um clichê caricato, perigoso e burro. E pior: tem gente que - ainda - pensa assim.

Mas eu não funciono dessa forma. Os relacionamentos amorosos que tive foram, são e serão extremamente importantes pra mim. Servem-me como referência para evitar erros ulteriores e reiterar acertos futuros em uma próxima relação. O fato d’eu continuar admirando uma pessoa que amei no passado não quer dizer que ainda a deseje. E acrescento: inútil seria achincalhá-la para ter - e dar - a certeza de que não há nenhum resquício antigo da velha paixão. Explico: sou "bem-resolvida". Não preciso maldizer quem pertence ao meu passado para fazer entender que o amor foi embora (mas sem levar consigo a admiração). Sim, existe carinho (essa é a palavra) por quem – por escolha minha e viés do destino – não caminha mais ao meu lado. Mas o fato de ter me amado como mulher fazendo-me crescer como ser humano já é o bastante para eu honrar sempre o significado desse “outro” na minha história.



domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a La Negra




From: Luana Queiroz de Oliva novaluana@gmail.com
Date: 2009/10/4
Subject: ...Volver a los 17...
To: Raquel Menezes raqueldanca@gmail.com


Amiga,
Lembrei muito de vocês hoje... Mercedes Sosa nos deixou e fiquei triste inclusive por nunca ter ido a um show dela.
Mas enfim...explico a lembrança não sem antes agradecer - conhecer essa cantora realmente foi um grande presente:
A primeira vez que ouvi La Negra foi no violão de Daniel, que cantou lindamente Volver a los 17 em uma noite fria de Brasília nas férias de julho de 1997...nossa, fiquei encantada pela música (até porque eu tinha ACABADO de fazer 17 anos) perguntei logo de quem era e vc prontamente me informou: é da Mercedes.
Desde então fiquei embevecida pelas canções de Sosa que cantava Violeta Parra e Silvio Rodriguez como ninguém.
Sueños con serpientes e Gracias a la vida são as minhas favoritas.
Mas o meu xodó mesmo foi a canção que ouvi inicialmente na voz de Dani...enfim... especialmente HOJE eu queria de verdade volver a los 17.
Saudade de La Negra. Saudade de vc!
Beijucas,
Lua.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

...there she comes...


Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.


Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Cecília Meireles
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P.S - Em tempo: 22/09 - dia dos amantes. =))))))))))

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

.Para "Tu".


Não ame um homem por compaixão. Não ame um homem porque ele ficou ao teu lado enquanto quem desejava ia.
Não ame um homem para não ficar isolada. Não ame assim, sem amor, por uma segunda chance. Por tédio. Para passar o tempo. Por respeito. Para esperar acompanhada.
Tenha coragem de deixá-lo sozinho, de encarar a verdade. Não maltrate sua esperança. Não o torture com a promessa de que pode dar certo. Não dá certo o que não pode dar errado.
Ame para conhecer, não conheça para amar. O amor é violento mesmo quando temos controle sobre ele. O amor é um excesso que retira a possibilidade de viver pequeno. Não ame um homem porque ele foi leal, o único que a ouviu, a aconselhou, a compreendeu.
Isso é amizade que pode estar no amor, mas não é "amor".
Amor tem mais pele do que osso. Osso se guarda na terra. Já a pele cheira-se com insistência para contrariar o esquecimento. Não ame um homem por recompensa, pois ele aguardou que os outros fossem embora. O final de festa é cansaço.
Não ame um homem por caridade (sua ou dele). O corpo não é uma esmola.
Não ame um homem para dizer que os outros não prestam. Por vingança. Para mostrar o que é um homem. Não ame por educação. Um homem amado desse jeito se sentirá menos homem no futuro. É rebaixar o homem. Acovardá-lo com atenuantes. É conter a ambição dos braços, a curiosidade das pernas.
Não ame um homem por acomodação. Perca a vida, mas não a chance do homem que procura. Amor não se convence. Não se enraíza com argumentos. Não começa pela cautela. Amor é a falta de prevenção. Não se faz discutindo, amor se faz precisando.
Não ame um homem porque ele é o ideal e não a fará sofrer. Prevenir a dor é combater o que pode consolá-la. Não ame um homem pelo simples fato dele estar disponível e atender seus chamados com facilidade. Não ame por conveniência. Para se exibir. Para não pensar mais nisso.Ame um homem que não nasceu de uma consolação, que não partiu de indicação dos amigos, que não seja a cara do seu pai.


O que é "melhor" (????) para você nem sempre é verdadeiro.
E, com certeza, não é AMOR.


Fabrício Carpinejar, Adaptado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

.abre-te sésamo.




"O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos,
Em direção à porta que - ainda - não abrimos."


( in "Burnt Norton" - T.S. Eliot, Adapted)