
"Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu."
É incrível como se confunde admiração com paixão carcomida e onipresente. Explico: quando não se segue a regra obtusa de que "ao terminar um relacionamento é preciso ignorar o outro como garantia de que não há mais nenhum resquício do velho amor", fica sempre o estereótipo: ter carinho por quem "passou" é sinônimo de estagnação emocional e declarações sentimentais infrutíferas e ultrapassadas.
Para mim isso é um clichê caricato, perigoso e burro. E pior: tem gente que - ainda - pensa assim.
Mas eu não funciono dessa forma. Os relacionamentos amorosos que tive foram, são e serão extremamente importantes pra mim. Servem-me como referência para evitar erros ulteriores e reiterar acertos futuros em uma próxima relação. O fato d’eu continuar admirando uma pessoa que amei no passado não quer dizer que ainda a deseje. E acrescento: inútil seria achincalhá-la para ter - e dar - a certeza de que não há nenhum resquício antigo da velha paixão. Explico: sou "bem-resolvida". Não preciso maldizer quem pertence ao meu passado para fazer entender que o amor foi embora (mas sem levar consigo a admiração). Sim, existe carinho (essa é a palavra) por quem – por escolha minha e viés do destino – não caminha mais ao meu lado. Mas o fato de ter me amado como mulher fazendo-me crescer como ser humano já é o bastante para eu honrar sempre o significado desse “outro” na minha história.
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